AMAMENTAÇÃO X SUCÇÃO

Uma pesquisa recentemente publicada numa revista científica revela que existe uma forte relação entre o prolongamento do aleitamento materno e a redução na instalação de hábitos de sucção de chupeta ou dedo (digital).

Os autores relatam que, depois que a criança possui todos os dentes de leite na boca, ela não deve mais apresentar hábitos de sucção, que representam a fase oral. Nessa idade, o instinto de sucção deve ser substituído pelo de morder e pegar. A permanência da fase oral não é fisiológica e deve ser considerada deletéria (que faz mal).

O hábito de sucção deletério pode ser um fator que levará ao desenvolvimento de uma má-oclusão e pode se transformar em hábito nocivo de acordo com sua duração, intensidade, freqüência do movimento, pré-disposição individual, idade, condições de nutrição e de saúde do indivíduo.

Essa pesquisa demonstrou que mães que possuíam informações prévias sobre amamentação, hábitos, má-oclusão e respiração bucal, prolongaram o tempo de aleitamento natural. Na pesquisa, crianças que receberam seis meses de aleitamento natural foram as que apresentaram menos chances de desenvolverem hábitos de sucção, seguidas pelas que tiveram três meses de aleitamento natural e das que receberam aleitamento misto (mamadeira e peito) antes dos três meses. Os índices maiores foram para as que receberam aleitamento artificial desde o nascimento.

A chupeta por tempo prolongado foi o tipo prevalente de hábito de sucção deletério encontrado na pesquisa. Crianças com hábitos de sucção possuem, aproximadamente, doze vezes mais chances de desenvolveram más oclusões do que as que não têm tais hábitos.

Deve-se estar atento para o momento e a maneira correta de se interromper este hábito. O abandono da chupeta ou do dedo não pode ser um momento traumático na vida da criança. Aconselha-se avaliar, juntamente com o ortodontista, se o hábito de sucção está realmente comprometendo a oclusão dentária e se o problema causado é de fácil ou difícil correção. Se a cobrança dos pais ou da família for muito intensa ou agressiva, o hábito passará a ser uma resposta de confronto ou fuga por parte da criança, o que tornará o seu abandono muito mais demorado. Dependendo das circunstâncias, um psicólogo pode ser acionado para que um tratamento interdisciplinar seja mais eficiente na remoção do hábito de sucção.

Uma criança que possui hábitos deletérios tem onze vezes mais chances de apresentar mordida aberta anterior, quatro vezes mais chances de apresentar mordida cruzada posterior, quinze vezes mais chances de apresentar o arco superior em formato de V e doze vezes mais chances de possuir ausência de selamento labial espontâneo (crianças que só ficam de boca aberta).

Foi concluído também que o grau de informação das mães sobre aleitamento materno está diretamente relacionado com a menor incidência de más oclusões nas crianças estudadas.

Resumo do artigo: “RELAÇÃO ENTRE HÁBITOS DE SUCÇÃO, MÁ OCLUSÃO, ALEITAMENTO MATERNO E GRAU DE INFORMAÇÃO PRÉVIA DAS MÃES” publicado na Revista Dental Press de Ortodontia, de nov/dez 2006.


CUIDADOS COM A PRIMEIRA DENTIÇÃO!

1 - Manter a higiene bucal da sua criança é muito fácil! Se os dentes do seu filho(a) ainda não nasceram, basta enrolar uma gaze no dedo indicador e passá-la embebida em água filtrada (ou mineral) em torno das gengivas;

2 -  A partir do primeiro dentinho é essencial o uso da escova dental. Use sempre escova dental com cerdas macias, com a cabeça pequena (quantidade de cerdas) para facilitar o acesso aos dentes, e com o cabo mais espesso, para uma melhor empunhadura. Desta maneira, fica mais fácil manter os dentes e gengivas saudáveis;

3 - Enquanto a criança não perder o hábito de engolir a pasta de dentes, use as que não possuem flúor em sua composição. A ingestão dessa substância pode causar manchas nos dentes permanentes que ainda estão se formando;

4 - Não abuse da pasta de dentes. Excesso de espuma não significa melhor eficiência na limpeza. Portanto, apenas “suje” as cerdas da escova com uma quantidade pequena de pasta (equivalente a um grãozinho de arroz);

5 - Até os 10 anos de idade, em média, a criança não tem uma coordenação motora suficiente para realizar sozinha uma escovação adequada. Ela deve ser estimulada a escovar seus dentes e usar o fio dental. Mas, ao menos uma vez por dia, um dos pais ou o responsável deve escovar os dentes da criança e passar o fio dental;

6 - Lembre-se sempre: gaste o tempo que for necessário para limpar todos os dentes. Escovações muito rápidas não garantem uma limpeza satisfatória;

7 - Comer doces não é proibido! Mas evite que suas crianças ingiram grandes quantidades de alimentos açucarados ao longo do dia. Dê preferência ao uso de doces como sobremesa das principais refeições;

8 - Evite o excesso de alimentos artificiais como biscoitos, balas, chocolates e salgadinhos tipo chips. Estimule a ingestão de frutas, verduras e legumes frescos. Eles são mais saudáveis e nutritivos, sendo fundamentais para o crescimento e desenvolvimento do seu filho(a) e, inclusive, ajudam a evitar as cáries;

9 - A chupeta só deve ser dada à criança se ela pedir. Ela serve para suprir a necessidade natural de sucção que as crianças menores de 03 anos têm. Mas, não crie o hábito de sucção de chupeta a qualquer momento, isso prejudica o desenvolvimento dos maxilares. Tente associá-la apenas à hora de dormir;

10 - Dê preferência aos modelos de chupetas “ortodônticas”. Elas não evitam problemas ortodônticos, porém possuem um desenho mais anatômico. Mas tenha o cuidado de verificar sempre se seu filho(a) não está criando o hábito de colocar o bico de modo incorreto na boca (por exemplo, de cabeça para baixo ou mordendo a parte de plástico da chupeta);

11 - Pergunte ao dentista se haverá necessidade de tratamento ortodôntico. Alguns problemas de crescimento ósseo podem ser contornados com o tratamento interceptativo (aparelhos removíveis ou alguns tipos de fixos). Esses aparelhos visam restabelecer o equilíbrio de crescimento entre os maxilares, proporcionando um desenvolvimento mais harmônico da face;

12 - Leve o seu filho(a) ao odontopediatra a cada 6 meses, ou conforme orientação do profissional. Desta forma, o desenvolvimento dentário e esquelético serão acompanhados adequadamente e as doenças bucais (como cáries e inflamação gengival) serão prevenidas ou até mesmo evitadas;

 

E não se esqueça: A saúde começa pela boca!

TRAUMATISMO DENTÁRIO

Os traumatismos dentários são um dos problemas mais sérios de saúde bucal entre crianças e adolescentes, considerando o declínio dos índices de cáries e a baixa prevalência das doenças de gengiva (periodontais) nesta faixa etária. Sua prevalência pode girar em torno de 20%.

Outra questão é a aparência. Os dentes quase sempre envolvidos nos traumas são os anteriores. Desta forma, o comprometimento estético do sorriso pode levar a problemas com a aparência, limitando o convívio social da criança e fazendo com que ela evite principalmente sorrir e mostrar os dentes.

É muito importante que os pais ou responsáveis que acolheram a criança ou adolescente, logo após o trauma, procurem informações sobre QUANDO, COMO e ONDE ocorreu o acidente. O tempo transcorrido entre o momento do acidente e o atendimento de urgência influencia numa melhor cura do dente afetado (prognóstico).

Se a paciente tiver dificuldade de locomoção e equilíbrio, ausência de movimentos sincronizados dos olhos ao acompanhar o deslocamento de um objeto (como por exemplo, uma caneta), pupilas dilatadas em um ambiente muito claro, presença de sangramento ou fluido esbranquiçado proveniente do nariz ou ouvido, além de vômito, náusea e dor de cabeça, pode-se suspeitar de algum comprometimento neurológico. Notando algum desses sintomas, mesmo que o dente tenha se soltado da gengiva, o paciente deve ser encaminhado imediatamente ao neurologista para as providências necessárias.


O dentista deve ser avisado sobre história de trauma anterior sofrido pelo paciente, dificuldades de cicatrização, uso de medicamentos, intolerância a anestésicos e outros medicamentos, além de comprometimentos sistêmicos relevantes.

Em casos de fratura de parte do dente ou em que ele tenha saído da gengiva, é importante que se localize o fragmento ou o dente e o armazene em um recipiente limpo contendo, de preferência, soro fisiológico ou leite.

Se o dente se soltar por inteiro e a pessoa que fizer o primeiro atendimento do acidentado localizá-lo, estando o dente aparentemente limpo, é recomendável que ele mesmo recoloque o dente no local d onde ele saiu. O fator de maior importância para que o dente se restabeleça em seu local e o tempo em que ele ficar fora da gengiva. Quanto mais rápido ele for recolocado, maiores as chances de cura.

Vale lembrar que, se o dente se soltar por inteiro e estiver sujo de areia, pedras, etc, ele não deve ser limpo com nenhum tipo de raspagem sobre sua superfície. Lave-o em água corrente ou mesmo coloque-o no recipiente mencionado sem ser limpo. O dentista saberá limpá-lo da maneira correta para que aumentem as chances dele se fixar novamente na gengiva